segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Os melhores do Pré-Olímpico de Las Vegas


1º TIME
- Luis Scola (ARG)
- Carmelo Anthony (EUA)
- LeBron James (EUA)
- Kobe Bryant (EUA)
- Pablo Prigioni (ARG)

2º TIME
- Esteban Batista (URU)
- Beck Castro (MEX)
- Carlos Delfino (ARG)
- Elias Ayuso (POR)
- Jason Kidd (EUA)

3º TIME
- Dwight Howard (EUA)
- Héctor Romero (VEN)
- Michael Redd (EUA)
- Leandrinho (BRA)
- Carlos Arroyo (POR)

MVP: Luis Scola (ARG)

Maior evolução: LeBron James (EUA)

Defensor: Kobe Bryant (EUA)

Revelação: Beck Castro (MEX)

Reserva: Michael Redd (EUA)

Técnico: Sergio Hernandez (ARG)

O incrível salto de LeBron James


Kobe foi a pedra fundamental na defesa, Carmelo foi o cestinha no ataque, Kidd foi o cérebro na armação, Redd foi o chutador que faltava, Krzyzewski foi o mentor da máquina. Todos eles foram muito importante, mas uma coisa me deixou ainda mais impressionado na seleção dos Estados Unidos: a evolução de LeBron James.

Nas finais da NBA, o ala do Cleveland Cavaliers foi criticado por todos os lados, com 35% de aproveitamento nos arremessos. Em Las Vegas, convém dizer, todas as defesas rivais somadas não chegavam aos pés do San Antonio Spurs. Além disso, os americanos tinham talento suficiente para criar chutes sem marcação ou enterradas inapeláveis. Mesmo assim, os números de LeBron são espantosos:

84.7% nas bolas de dois pontos (50/59)

62.2% nas de três (23/37)

76% de aproveitamento no geral (73/96)

Em resumo: o ponto fraco virou trunfo.

Na despedida, contra a Argentina, foram 31 pontos e oito chutes certeiros de três em 11 tentados. Como se não bastasse, o sujeito ainda deixa Las Vegas como vice-líder em assistências (4.7), atrás apenas de Prigioni.

domingo, 2 de setembro de 2007

Na hora da verdade, o que fizemos?

Antes do Pré-Olímpico, comentei aqui que Porto Rico e Argentina seriam os adversários do Brasil na luta pela vaga em Pequim. Ao longo do torneio, jogamos quatro vezes contra eles. Perdemos todas.

E agora?


Por Fábio Balassiano

Foi um duro golpe. Não que não imaginássemos, pois quem tem Grego como presidente pode, e deve, esperar tudo de pior. A seleção brasileira, que outrora brigava entre as grandes, contentou-se em derrotar Méxicos e Venzuelas, e perder, cândida e passivamente, para o time B da ex-eterna freguesa Argentina. É triste detectar que aquilo que devotamos tanto se esfacelou, se deteriorou com o tempo.

Em texto recente, disse que o basquete brasileiro havia acabado há um ano, e não retiro isso. Porém, há soluções. De maneira resumida, pensei no seguinte (excluindo a possibilidade de renúncia de Grego):

1) Em primeiríssimo lugar, troca da comissão técnica. Vejo com bons olhos a presença de um técnico de fora, mas gostei muito de uma sugestão aqui da caixinha de comentários: um gringo de treinador principal, e Marcel de Souza como seu assistente direto. Atrelado a isso, fazer uma série de clínicas (mas não aquelas em que Barbosa ensina seus truques) com estrangeiros, de preferência com europeus.

2) Que a CBB deixe, enfim, o Campeonato Nacional nas mãos dos clubes e se preocupe, de maneira alinhada, em promover circuitos de base. O fomento aos formadores de novos talentos, que hoje em dia é feito de forma gloriosa, merece mais atenção.

3) Fazer uma espécie de “pré-temporada” com os atletas que jogam fora do país. É inadmissível que a CBB ignore atletas como, por exemplo, Ricardo do Bem e Vitor Faverani (foto). Os dois são pivôs, jogam fora (o primeiro, nos EUA; o segundo, na Espanha), com mais de 2,10m e poderiam ter sido úteis em Las Vegas, onde só tínhamos Nenê e Splitter como “homens pesados” no garrafão.

4) Trazer de volta ídolos da modalidade. Pessoas como Amaury (Hall da Fama) e Wlamir Marques (cada vez mais lúcido), entre outros, não podem ser exilados pela CBB. Colocá-los como chefes de delegação seria um bom começo e com mais representatividade juntos aos atletas e ao público que o presidente de alguma federação aliada de Grego.

Pouca gente lembra, mas no começo da década de 60, o Brasil tinha dois títulos mundiais de futebol (58 e 62) e também de basquete (59 e 63). Desde então, o esporte da bola laranja parou no tempo, o vôlei cresceu, o tênis ganhou espaço, Daiane e Laís tomaram de assalto páginas de jornal etc. Já passou da hora de mudar essa história, não?

A breve cronologia de um fiasco brasileiro



24/8/06 - Após a derrota para a Lituânia, consumada a pior campanha do Brasil na história dos Campeonatos Mundiais, Gerasime Bozikis, o Grego, decide manter a comissão técnica e afirma que "faria tudo de novo".

17/5/07 - Nove meses depois, a seleção é convocada para os Jogos Pan-Americanos do Rio e o torneio Pré-Olímpico de Las Vegas.

19/6/07 - Após uma ausência de quatro anos, Nenê anuncia numa entrevista em São Carlos (SP) que está de volta à seleção.

23/6/07 - Quatro dias após um pedido público de Nenê, Valtinho é convocado por Lula Ferreira.

29/7/07 - Diante de uma arena lotada e adversários de segunda linha, o Brasil bate Porto Rico e conquista a medalha de ouro no Pan-Americano. Com um estilo mais solidário, Marcelinho é o grande destaque da equipe na competição.

4/8/07 - Desfalcada de Nenê, a seleção inicia os treinos em São Paulo.

16/8/07 - Sem Nenê e Leandrinho, o Brasil estréia na Copa Tuto Marchand, em Porto Rico, com uma derrota para a Argentina.

18/8/07 - Pelo saldo de pontos, a equipe conquista o torneio amistoso. A última partida, contra o Canadá, foi a primeira de Nenê e Leandrinho.

21/8/07 - O Brasil inscreve 12 jogadores para o Pré-Olímpico. Sem contrato na NBA, Anderson Varejão está fora. Lula opta por Nezinho e dispensa Marcus.

22/8/07 - A seleção joga mal, mas estréia em Las Vegas com uma vitória sobre o Canadá por 75-67.

24/8/07 - O time se recupera, mostra força e faz uma boa exibição: 101-75 na Venezuela.

25/8/07 - Contra Ilhas Virgens, volta o sufoco: 93-89.

26/8/07 - No fim da primeira fase, um passeio dos americanos: 113-76.

27/8/07 - Logo na estréia da segunda fase, o maior vexame do Pré-Olímpico. Com um basquete apático e pobre taticamente, o Brasil leva um baile de Porto Rico: 97-75. Marquinhos sofre uma luxação no dedo mínimo da mão esquerda e fica fora do torneio. A ESPN Brasil mostra, em vídeo, uma bronca de Marcelinho em Nenê no banco de reservas, recheada de palavrões. Após a partida, os jogadores se reúnem para lavar a roupa suja sem a presença da comissão técnica. Leandrinho decide não dar mais entrevistas - o silêncio persiste até o último dia da competição.

28/8/07 - Contra o México, a equipe toma fôlego e joga bem: 104-90.

29/8/07 - Pela manhã, o Estadão e Jornal da Tarde publicam reportagem de Valéria Zukeran e Juliano Costa sobre divisões internas no grupo da seleção. À noite, após abrir 17 pontos, o Brasil permite a virada da Argentina e perde na prorrogação por 86-79. Após a derrota, Lula, Guilherme e Marcelinho Huertas pressionam a repórter do Estadão e, de forma agressiva, cobram a publicação de um desmentido. O assistente Flávio Davis tenta impedir que a ESPN Brasil registre as imagens.

30/8/07 - Contra o Uruguai, a melhor exibição brasileira na competição: 96-82. Mais um vídeo da ESPN Brasil mostra que, no fim da partida, Nezinho desafia a autoridade da comissão técnica e se recusa a entrar em quadra.

31/8/07 - O jornal Lance publica uma entrevista, feita por David Abramvezt, com o ala Marquinhos. O jogador abre a conversa com a frase "Todo mundo está vendo as cagadas do Lula" e afirma que o grupo estava insatisfeito e unido contra o treinador. A seleção proíbe a entrada da imprensa no treino e não comenta o assunto.

1/9/07 - Na semifinal contra a Argentina, que decidiu a classificação olímpica, Nenê sai machucado antes do quinto minuto. Ainda assim, o Brasil abre 11 pontos, mas a pane se repete. A equipe verde-amarela perde o terceiro quarto por 30-13 e deixa a vaga em Pequim escorrer pelos dedos. Após a partida, Tiago Splitter afirma que Marquinhos mentiu na entrevista ao Lance, e Lula diz que seu futuro só será decidido após o Pré-Olímpico.

Em resumo, tivemos três boas vitórias (Venezuela, México e Uruguai), sendo que só a terceira foi contra um time decente; duas vitórias com atuações ruins (Canadá e Ilhas Virgens); uma derrota previsível (EUA); duas derrotas em que o time entregou o ouro após abrir boa vantagem (ambas para a Argentina); e uma derrota catastrófica (Porto Rico). Além disso, vimos uma comissão técnica sem padrão tático, jogadores rendendo abaixo do esperado e pelo menos dois casos graves de crise interna - Nezinho e Marquinhos se rebelando contra o treinador.

Resta saber se, agora, Grego repetirá aquela frase de agosto de 2006.

sábado, 1 de setembro de 2007

Brasil x Argentina: comente aqui

A caixinha é toda sua. Fique à vontade para discutir a semifinal.

Duas visões distintas sobre o jogo de hoje

Os colunistas do Rebote têm opiniões diferentes (o que é sempre bom) sobre o valor de uma vitória contra a Argentina e, conseqüentemente, a vaga em Pequim. Leia os textos e diga o que você pensa lá na caixinha.



Ao acaso

Não torcerei contra.

Não consigo. Mas tampouco compactuo com o dizer "é o jogo da década". Falar que é uma partida decisiva, que vale vaga olímpica, é o óbvio ululante, o trivial, mas pode-se perder o principal: os erros cometidos não só pela seleção, mas por toda a estrutura corrompida da modalidade nos últimos 15 anos. Definitivamente, este fim não pode validar o meio, nem que este meio signifique uma chance de voltar aos Jogos Olímpicos.

Nenê, Leandrinho e Alex, por exemplo e entre outros, mereceriam conduzir a seleção a Pequim, mas não é fácil dissociar suas imagens da de Grego, que com certeza se vangloriará de que o processo de renovação foi bem feito, que uma penca de jogadores surgiu em sua administração, que o Brasil possui time de alto nível por mais 10 anos e que mais bons valores virão das categorias de base.

Torcer contra pode significar a não compactuação com essa bandalha politiqueira da CBB, não bater palmas para a leseira tática que assola os técnicos do país e que alguém (COB ou Ministério dos Esportes) inicie uma revolução não-silenciosa na modalidade. Torcer a favor é a triste constatação de que, por mais que tenhamos atletas espalhados pelo mundo, uma possível cadeira cativa em Pequim e dinheiro público rolando solto nos cofres da entidade máxima, nada se modificará. Minha conclusão, se é que se pode chamar assim, é que o basquete brasileiro não mudará com vitória ou derrota nesta tarde. Deixemos ao acaso.



O início

Torcerei a favor.

Não no sentido patriótico, muito menos por achar que o mundo do basquete é cor-de-rosa e merece nosso apoio incondicional. Torcerei a favor porque estou absolutamente convencido de que a ida a Pequim não é um objetivo final. É apenas o começo. Se haverá meio e fim depois, não dá para saber. Mas o Brasil x Argentina de hoje é sim, na minha opinião, o jogo da década. É a nossa maior chance de iniciar a mudança.

Se ganharmos, Grego ficará aí até 2009, pelo menos. Se perdermos, também. Ninguém é ingênuo o suficiente para achar que a vaga olímpica significa faxina imediata ou esconde a lama em que patinamos. Mas o pensamento crítico perde força se não tem um alvo para atingir. Cada vez mais acredito que a revolução no basquete será feita de fora para dentro. O problema é que, hoje, o "dentro" ainda é muito mais forte que o "fora".

Para inverter o quadro, é preciso massificar a modalidade. O processo é longo, claro que é, e jamais terá efeito se não passar pelos Jogos Olímpicos. Ficar 16 anos longe do maior palco esportivo mundial significa afastar da bola laranja toda uma geração de torcedores. Como manter o interesse por algo que não existe?

Na esteira da massificação, os dirigentes vão se vangloriar, os técnicos vão pregar um otimismo cego, a turma nociva vai tirar proveito. E nós, neste ou em qualquer canto, vamos continuar contestando. Só que, aos poucos, para um público cada vez maior, capaz de tirar o basquete do gueto e, enfim, pressionar pela mudança. Dito isso, pau nos hermanos.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Três pontos sobre o grupo unido

1) Conversei com o Roby Porto ainda há pouco, e ele confirmou, via assessoria da CBB, que os jogadores só vão falar depois do jogo de amanhã. Cá entre nós, até dá para entender.

2) Marquinhos, por sinal, já falou também com a ESPN Brasil e deu entrevista ao SporTV News, que vai ao ar hoje. O ventilador continua ligado.

3) Já que o pessoal tem falado tanto de jornalismo na caixinha (com uma visão crítica muito saudável, aliás), cabe um registro para o belo trabalho do David Abramvezt, do Lance. Em cima da hora, o jornal desistiu de mandar o cara a Las Vegas. E agora é dele, em São Paulo, a matéria mais explosiva do torneio. Vale lembrar que o mesmo David levantou a história do seguro da Alessandra no ano passado. Parabéns.

Algumas perguntas


Por Fábio Balassiano

Apesar de a seleção e alguns repórteres tentarem negar, a falta de comando na seleção é evidente. Só não enxergava, ou não tinha conhecimento, quem não queria ou quem fazia pseudo-jornalismo. As declarações de Marquinhos, a recusa de Nezinho em entrar em quadra e a atitude de Leandrinho nos tempos técnicos (se negando a ouvir as instruções) só provam, como este espaço afirma há algum tempo, que o caldeirão brasileiro ferve em fogo alto. Por isso, separei algumas perguntas que merecem ser respondidas.

1) Por que, um dia após a reportagem do Estadão, os jogadores e a comissão técnica foram tomar satisfações com a repórter, dizendo que ela havia mentido (fato que não ocorreu)?

2) Se a seleção possui um técnico, cuja carga tática é pior que a "implementada" pelos jogadores após a reunião, qual é a necessidade de ter treinador?

3) Será que é tão complicado entender e colocar em práticas as nuanças do basquete moderno? Se até Nenê e Splitter, os mentores do novo plano de jogo brasileiro, sabem disso, qual será a dificuldade da comissão técnica? Será que falta estudo?

4) Qualquer pessoa que entende um pouco de basquete sabe que a carga tática de Lula Ferreira é péssima e, o pior, é ela (a diretriz tática) que permeia todo o basquete nacional. Por que, então, é necessário algum atleta vir a público e dizer isso. Onde estão os diretores da CBB?

5) Qual será a atitude de Lula após o Pré-Olímpico? Pedir o boné seria o mais digno, não?

6) Na volta de Las Vegas, será que os jogadores contarão exatamente o que ocorreu em terras americanas? E o que precedeu a viagem, com telefonemas dos principais astros ao presidente da Confederação, exigindo troca de comando, será que eles terão coragem de dizer?

A caixa de comentários pode ser um bom começo para dissipar as dúvidas...

Informação sem limite


Por Fábio Balassiano

A Telefônica espanhola criou uma espécie de blog via mensagens de texto para seus usuários. Todos os assinantes que enviaram uma SMS à operadora estão acompanhando notícias da seleção de basquete que se prepara para um torneio na Europa. Com limite de 160 caracteres por mensagem, um dos jogadores (o ala Alex Mumbrú) envia várias informações exclusivas do time aos assinantes (só ontem foram 6).

Na verdade, e isso é o mais assustador em termos de tecnologia, é um blog que chega diretamente ao celular do usuário. O mais engraçado é que a imprensa espanhola só ficou sabendo da liberação de um outro atleta (o excepcional Jorge Garbajosa) por causa do blog-torpedo de Mumbrú, que anunciou: "Oi, sou Garbajosa. Já estamos em Sevilla e já podemos sentir o Europeu. Que vontade que comece isso logo. Todo o povo está envolvido e temos que agradecê-los".

A moral da história é que a tecnologia não tem mais limites, e só fica sem informação no mundo de hoje quem quer. Lula Ferreira e Grego poderiam ler esta notícia e começar a se coçar um pouco mais...

Foi na hora errada, mas era preciso falar

Sempre reclamei que os jogadores brasileiros (à exceção do Nenê) eram muito passivos e silenciosos em relação aos problemas da seleção. A entrevista de Marquinhos ao Lance (leia no texto abaixo) é acima de tudo corajosa. É impossível, cá entre nós, não fazer duas ressalvas:



1) O momento é completamente inoportuno. Estamos na véspera do jogo mais importante da década, e tal exposição agora não ajuda em nada. Ao contrário, só torna o clima ainda mais pesado e desvia o foco do principal objetivo: ganhar da Argentina. Marquinhos poderia ter segurado a língua até domingo. Aí sim, com a situação resolvida, deveria soltar o verbo - não só ele, aliás, como todos os outros jogadores envolvidos.

2) Como voltou à seleção agora, ganhou notoriedade no Pan-Americano e foi para o banco no Pré-Olímpico (ele mesmo reclama disso na entrevista), Marquinhos dá a entender que o rompante pode ter sido por uma razão muito mais pessoal do que coletiva.

Em todo caso, mesmo na hora errada e com motivações duvidosas, ele falou. Falou coisas que deveriam mesmo ser faladas, e que a comissão técnica vinha negando. O clima para Lula Ferreira após a competição fica absolutamente insustentável, a não ser que todos os jogadores digam que o Marquinhos enlouqueceu e isso é tudo mentira - pelas informações de bastidores que já circulavam, não há nada de mentira ali.

Nezinho se recusa a entrar em quadra

Aqui está o vídeo da ESPN Brasil com o momento em que Nezinho, no banco de reservas, se recusa a entrar na partida. A atitude é lamentável e só mostra como a falta de comando na seleção é evidente - e triste.

Marquinhos joga tudo no ventilador


Para quem ainda não viu, segue a íntegra da entrevista do Marquinhos ao repórter David Abramvezt, publicada na edição desta sexta-feira do jornal Lance!.

LANCE!: O que foi discutido e definido naquela reunião entre os jogadores, após a derrota para Porto Rico?
MARQUINHOS: Todo mundo está vendo as cagadas do Lula. O cara está perdido. Nós procuramos entender o motivo de o time estar jogando tão mal. Todo mundo falou e tentou achar uma forma de se ajudar. Falamos que era importante jogar como equipe, sem ninguém querer ser individualista. Ficou combinado que os jogadores iriam decidir quem definiria as jogadas, quanto cada um precisaria jogar. Depois da nossa reunião, a comissão técnica entrou e passamos para o Lula que nós iríamos ter mais voz e comando.

L!: Como o Lula reagiu?
M: Não teve muito o que falar. Ele disse que respeitava os jogadores. Antes, só respeitava o Nenê e o Marcelinho Machado. Ele puxa o saco dos dois. Foi só ver no jogo contra o México, o time já foi bem melhor com os jogadores mandando mais.

L!: Qual a principal reclamação dos jogadores em relação ao trabalho da comissão técnica?
M: O Lula é bom para clube, Seleção é outra coisa. Ele não tem noção. Os treinos são muito fracos. O time não tem tática, jogadas de ataque bem feitas. Ele erra na rotação. Tudo isso que qualquer um vê. Os que jogaram o Mundial falaram que, no Japão, ele disse para confiar no trabalho dele, que ele sabia o que fazer. O Brasil foi muito mal (17º lugar) e ninguém mais acredita nele.

L!: Não existe nenhum racha entre os jogadores?
M: Não existe racha. São todos contra o Lula. O grupo está fechado. Todos estão unidos pelo objetivo de voltar para a Olimpíada. Tem gente que não é amiga, mas está se respeitando. O mais importante é classificar o Brasil para a Olimpíada. O que irrita todos é o trabalho do Lula e da comissão.

L!: Você chegou a dizer que jamais voltaria a jogar na Seleção com o Lula no comando. Ficou quase três anos fora, mas decidiu voltar para jogar o Pan do Rio. Vai atender outra convocação dele?
M:
Não volto mais, não preciso disso. Os meus empresários também acham. Concluí que só fui convocado porque sou jogador da NBA. Ele se sente na obrigação. No Pan e nos amistosos em Porto Rico, eu fui um dos melhores. Mas acho que só joguei tanto porque o Alex estava machucado. Daí chegou no Pré-Olímpico e o cara me colocou cinco minutos por jogo. Fui cobrar e ele disse que joga quem tiver mais tempo de Seleção. Ele faz a panela dele e não muda de idéia. O Guerrinha disse para o (pivô) J.P. Batista que ele não vai jogar muito no Pré-Olímpico, e sim no Sul-Americano. O cara está tentando NBA e jogando muito. Isso tira a vontade.

L!: Você diz que o Lula é culpado pela irregularidade da Seleção. Mas os jogadores estão rendendo bem?
M:
Falta entrosamento e treinos para isso. É muito mais difícil conseguir que a equipe ganhe conjunto com um técnico ruim. Mas com vários jogos, a equipe vai melhorando e pode jogar bem contra a Argentina e se classificar para a Olimpíada.

L!: Você acha que o Lula vai cair depois do Pré-Olímpico?
M:
Os jogadores estão focados na vaga olímpica. Depois, pode até ter um movimento para derrubar ele.

Câmera Rebote: vem aí o jogo da década

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quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Brasil x Uruguai: comente aqui

Provavelmente só vou conseguir atualizar o site de novo ao fim da rodada. Estou voltando para o SporTV, já que o Bial teve um problema de saúde (torço, e sei que vocês também, por uma recuperação rápida). Sendo assim, a caixinha está aberta para os comentários do jogo do Brasil.

O vídeo da reclamação

Se ainda não viu, clique aqui para ver a reclamação dos jogadores com a jornalista Valéria Zukeran, do Estadão, após o jogo de ontem. Foi menos agressivo do que eu imaginava, mas ainda assim não se justifica o fato de quatro marmanjos intimidarem uma garota. Se realmente julgou que era preciso, Lula poderia ter chamado a repórter para uma conversa reservada.

Negligência

Por Fábio Balassiano

Ao fim da partida, Lula Ferreira reclamou da quantidade de lances livres cobrados por Luis Scola. Ele tem razão e culpa. Se o ala-pivô argentino foi 18 vezes à linha fatal, foi por culpa da péssima marcação brasileira e pelas soluções adotadas no ataque (que privilegiam os arremessos de fora, excluindo o jogo de contato no garrafão), e não por negligência dos árbitros. Além disso, com o aproveitamento de 68%, o Brasil é o segundo pior neste quesito (e são 24.7 por partida, com acerto de somente 16.9 - quase oito pontos no lixo), fato que o treinador não menciona.

Quer ver outro tipo de negligência de Lula e sua trupe-técnica? Com exceção das partidas contra México, Venezuela e Estados Unidos (cujos jogos já estavam decididos no período final), o Brasil perdeu todos os quartos períodos neste Pré-Olímpico. Contra Canadá (-2), Ilhas Virgens (-5), Porto Rico (-11) e Argentina (-8), a média é: 6,5 pontos de déficit, ou 25 a 19 para os adversários. Nos momentos decisivos, a seleção peca, e peca muito.

Que Lula se espelhe no técnico rival Sergio Hernandez, que após o Mundial do Japão assistiu a todas as partidas do campeonato por inúmeras vezes e radiografou as principais nuanças táticas dos adversários (sem variação, fica fácil para ele marcar a seleção brasileira em qualquer competição e com quaisquer atletas).

Como escrevi ontem, o Brasil tem mais potencial técnico que a Argentina que está em Las Vegas. Mas, no basquete, isso não é suficiente. E Lula sabe disso. Por isso mesmo deveria chorar menos e estudar e treinar mais.

Câmera Rebote: entregamos o ouro

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Depois da derrota, o barraco


O clima anda mesmo tenso na seleção. Logo após derrota infantil para a Argentina, Lula, Flávio Davis, Guilherme e Marcelinho Huertas foram tirar satisfações com a repórter esportiva Valéria Zukeran, do Estadão/JT, que escreveu a matéria citada aqui ontem pelo Balassiano, sobre as brigas internas (leia aqui). O tom da cobrança foi agressivo, com direito a berros. Espero que, na quinta-feira, jogadores e comissão técnica não fiquem pensando na imprensa e se concentrem apenas no jogo decisivo contra os uruguaios.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Brasil x Argentina: comente aqui

Considerando que os Estados Unidos vão bater o Uruguai hoje e a Argentina amanhã, a situação do Brasil é a seguinte:

- Se vencermos nossos dois jogos, entramos em segundo lugar e enfrentamos a Argentina (terceira).

- Se vencermos um e perdermos o outro (não importa qual), entramos em terceiro e pegamos a Argentina (segunda).

- Se perdermos os dois e o Canadá vencer Porto Rico, ficamos em quinto.

- Se perdermos os dois e o Canadá perder para Porto Rico, aí embola tudo: brasileiros, canadenses e uruguaios ficam com 10 pontos. A conta é complicada, mas em resumo é o seguinte: se perdermos por até sete pontos para o Uruguai, ficamos em terceiro. Por oito pontos, ficamos em quarto. Por nove ou mais pontos, ficamos em quinto. Deu para entender?