quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Nenê no banco. Começamos mal. Muito mal


O quinteto titular do Brasil está escalado com Valtinho, Leandrinho, Marcelinho, Splitter e Murilo. A assessoria da CBB me confirmou que não há nenhum problema físico com o Nenê, a não ser o fato de ele só ter jogado uma partida antes do torneio. Colocá-lo no banco é uma opção tática. Tática e desastrosa, na minha opinião.

Pela fragilidade do adversário, é provável que o Brasil vença com Nenê, Murilo ou qualquer outro homem de garrafão. Mas Pré-Olímpico é coisa séria, não é palco para invencionices.

Ainda que Nenê tenha mais minutos que Murilo ao fim da partida, ainda que esteja em quadra no último quarto, ainda que Murilo faça 40 pontos, a seleção já perde de cara em impacto, em moral, em atitude. Não estamos mais na Tuto Marchand. Isso vale vaga em Pequim. Tomara que tudo dê certo na estréia, mas confesso: não gostei nada da novidade.

O que está havendo com Porto Rico?

Três derrotas em casa na Copa Tuto Marchand, e agora uma estréia desastrosa no Pré-Olímpico. Será que a seleção de Porto Rico esqueceu como se joga basquete? Se você tem Arroyo, Ayuso, Barea, Reyes, Ramos & Cia, é inaceitável perder para um time liderado pelo Horacio Llamas e seus 200 quilos. O jogo, aliás, foi de uma pobreza técnica sofrível, repleto de erros infantis, especialmente no último quarto.

Três pontos

1) Horacio Llamas, ex-NBA, entrou em quadra pelo México contra Porto Rico... e fez o chão tremer. O sujeito está uma bola de gordo!

2) E o ginásio continua vazio, hein. Será o horário ingrato ou esses americanos só querem saber mesmo do próprio umbigo?

3) Quer ler mais sobre o Pré-Olímpico? Então fique de olho nos textos do Marcelo Monteiro, no blog Por Esporte. O homem sabe das coisas.

Uruguai vence com Batista monstruoso


O primeiro quarto foi detestável, mas até que uruguaios e panamenhos conseguiram salvar a estréia no Pré-Olímpico. Após uma boa reação no terceiro período, o Uruguai manteve o equilíbrio no último quarto, levou o jogo à prorrogação e venceu por 88-84.

Para quem continua dizendo que Esteban Batista é um bonde, está aí mais uma prova do talento do pivô. Ele foi o cestinha da partida, com 26 pontos, pegou incríveis 19 rebotes e, de quebra, fez a cesta que empatou o jogo no último segundo do quarto período. Atuação monstruosa.

Nicolas Mazzarino, cérebro da Celeste no Pan, também não decepcionou, com 25 pontos e quatro assistências. Pelo Panamá, destaque para Jaime Lloreda, com 21 pontos e oito rebotes, e Danilo Pinnock (16 e nove).

Os panamenhos ganharam nos rebotes (41-39) e chegaram a abrir 15 pontos, mas cometeram abomináveis 25 erros e tiveram os lindos aproveitamentos de 47% nos lances livres e 16% nos tiros de três.

Tudo pronto para a largada em Las Vegas



Acabo de falar com a assessoria da CBB em Las Vegas. Os jogadores estão treinando arremessos, clima tranqüilo para o jogo de logo mais. Controlar a ansiedade talvez seja a grande missão para a partida contra o Canadá, às 21h30. Com os fracassos recentes e o fantasma da Austrália na estréia do Mundial, esse time carrega um tremendo peso nas costas. Cabe ao elenco, na medida do possível, fugir da pilha e manter a cabeça no lugar. Afinal, precisamos dessa vitória hoje a qualquer custo.

O Pré-Olímpico começa daqui a pouco, às 16h30, com Uruguai x Panamá. Olho na Celeste, amigos. Depois do que vi no Pan, tenho um certo receio com esses caras. A propósito: a programação do SporTV prevê os quatro jogos de hoje ao vivo - o primeiro no SporTV 1 e os outros três no 2.

Herb Brown e os presságios

Por Fábio Balassiano

Se as opiniões e análises do americano Herb Brown, que acompanhou as sessões de treinamento da seleção brasileira masculina em São Paulo, impressionaram Lula Ferreira, parece que o mesmo não se pode dizer da diretoria do Atlanta Hawks, que retirou Brown da comissão técnica da franquia, colocando-o na posição de consultor (o que, a princípio, não quer dizer muita coisa) em seu último ano de contrato.

Chega a ser engraçado que a comissão técnica brasileira tenha se deitado em elogios a alguém que acaba de ser "rebaixado" em sua equipe...

Câmera Rebote: hora da verdade

É hoje! Aperte play, veja e comente ali na caixinha.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Notícias direto de Las Vegas!


Acabo de bater um papo por telefone com Roby Porto, que está em Las Vegas - sim, o SporTV vai transmitir de lá os jogos do Brasil e dos Estados Unidos. Ele viu o treino da seleção hoje, no Cox Pavillion (anexo ao Thomas & Mack Center), e me deu um panorama do que rolou por lá.

Lula Ferreira montou o time titular (de camisa azul) com Valtinho, Leandrinho, Marcelinho, Nenê e Splitter (os dois últimos se revezando entre sair do garrafão e jogar embaixo da cesta). Em determinados momentos, o técnico tirava um dos dois pivôs e colocava o Guilherme. Na armação, trocava o Valtinho pelo Huertas - e não pelo Nezinho, o que é bom sinal.

O time reserva (de amarelo) tinha Huertas, Alex, Marquinhos, Murilo e JP Batista, com Nezinho entrando no lugar de Huertas quando este migrava para o quinteto titular. Segundo o Roby, Alex jogou à vontade, sem mostrar receio com a mão recém-recuperada - outro bom sinal.

Americanos fecham o elenco

Depois de dar uma olhada aqui no Rebote, Mike Krzyzewski cortou Kevin Durant, Nick Collison e JJ Redick (este último, na verdade, já estava dispensado). Com isso, os Estados Unidos fecham o grupo de 12 jogadores para a disputa do Pré-Olímpico em Las Vegas:

- Amare Stoudemire
- Dwight Howard
- Tyson Chandler
- Carmelo Anthony
- LeBron James
- Tayshaun Prince
- Kobe Bryant
- Mike Miller
- Michael Redd
- Jason Kidd
- Chauncey Billups
- Deron Williams

Diferenças


Por Fábio Balassiano

A Espanha é a atual campeã mundial, conta com Pau Gasol, Juan Carlos Navarro, Jorge Garbajosa e um punhado de atletas de ótimo nível, além de um técnico cuja competência é incontestável (Pepu Hernadez). O Brasil, ao contrário, não foi às duas últimas Olimpíadas, tem um treinador criticado por grande parte da imprensa (e por que não pelos próprios jogadores também?) e um elenco de apoio duvidoso.

Se não bastassem as diferenças econômicas e na carga de treinamentos, os brasileiros se prepararam para a competição mais importante do ano assim: uma semana de sessões duplas no Paulistano e jogos contra Porto Rico, Argentina e Canadá. Já classificados para Pequim, os espanhóis, ao contrário, estão há 34 dias concentrados para a Euro (que será disputada em Madrid) e enfrentarão até a estréia as seguintes seleções: Venezuela, Portugal, Lituânia (duas vezes), República Tcheca, Alemanha (duas vezes também) e França - somando oito amistosos em 22 dias. Os atletas, além disso, reclamam das exigências de Pepu nos treinamentos (cinco horas diárias em alguns dias, por exemplo).

Alguém já disse que a falha na execução, na verdade, é a falha na preparação. Então, o Brasil está mal pacas...

Os pecados

Por Fábio Balassiano

Muita gente que nunca falou de basquete (e isso não é uma crítica) decidiu dar pitacos e cravar que a não classificação para Pequim seria uma vergonha. Prova de que, por mais que Grego e companhia se esforcem para arruinar por completo a história do esporte no país, a modalidade ainda tem o seu espaço. Será mesmo?

De verdade, o Brasil não pode cometer os seguintes equívocos:

1) Desperdiçar tantas posses de bola (fato freqüente).
2) Usar uma tática que não dá resultados há 20 anos (jogo de transição).
3) Ter poucas jogadas para os pivôs (com Nenê e Splitter, é leviano insistir somente com os tiros de fora do garrafão).
4) E, claro, colocar o Nezinho (por menor que seja a sua culpa em ser convocado) por mais de 30 segundos em quadra...

Respondendo àquela pergunta, sim, será uma vergonha. O Brasil não tem rivais à altura, tem quase todos à disposição e a famosa "inexperiência", citada como motivo dos resultados desfavoráveis, já não existe mais.

Mas, pera lá, não perdemos para Austrália e ficamos atrás do Líbano no Mundial do Japão? Com esta comissão técnica, tudo é possível...

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

E o homem inventou o toco...


"Digo com absoluta confiança que, na universidade, eu dava 15 tocos por jogo. Era uma vantagem porque a maioria dos atletas nunca tinha visto aquilo. Eu nunca tinha visto um toco quando aprendi a jogar basquete, nem sabia o que era. No primeiro treino na escola, o técnico, que não gostava de basquete, mas era um grande homem, levou um livro de regras para o ginásio. Nosso primeiro treino não teve corrida, saltos ou arremessos. Ficamos só aprendendo as regras."

[...] Naquele livro, ele percebeu que podia bloquear o chute do adversário antes que a bola atingisse seu ponto mais alto.

"Então, quando cheguei à universidade, nosso primeiro jogo foi contra California-Berkeley, e o pivô deles tinha sido eleito o melhor do país na pré-temporada. Eu dei toco nos seis primeiros arremessos dele. Pediram tempo, claro, e perguntaram: o que é isso? O que vamos fazer agora?"


O assunto acima não tem nada a ver com o Pré-Olímpico, é só uma dica para quem gosta de basquete. As declarações são de Bill Russell, em entrevista a Ian Thomsen publicada nesta segunda-feira no site da revista Sports Illustrated. Saca inglês? Então leia a íntegra aqui, vale a pena.

Delfino machuca o joelho. Que fase, hein...


Fábio Balassiano me alerta para uma notícia relevante: Carlos Delfino machucou o joelho no fim de semana e pode desfalcar a Argentina na estréia contra o Uruguai, na quinta-feira (os hermanos folgam na rodada inicial de quarta). "É o mesmo joelho operado há dois anos, e isso me preocupa, porque eu não consigo esticar a perna", disse o jogador ao jornal La Nación. O médico da seleção já providenciou uma ressonância magnética e se mostrou otimista: "Ele tem uma tendinite que limita os movimentos do joelho, mas a fisioterapia vai fazer a lesão sumir em alguns dias", explicou o doutor Diego Grippo (não confundir com Diego LoGrippo, o ala-pivô). De todo modo, é mais uma notícia no pacote de azar dos argentinos - e sorte dos brasileiros.

E os americanos, hein?


Como já foi comentado aqui na caixinha, os galácticos americanos perderam um jogo-treino para o combinado de jovens da NBA, na prorrogação. Mike Krzyzewski reclamou do baixo aproveitamento nos arremessos, mas optou por morrer abraçado com Kobe, LeBron e Carmelo em quadra, em vez de lançar um gatilho como Mike Miller (na foto ao lado) ou Michael Redd nos momentos decisivos. A falta de chutadores natos custou caro aos americanos no Mundial. Se agora eles estão no grupo, devem ser usados, não?

Coach K já disse que o trio de astros tem vaga garantida no quinteto titular. Kidd e Billups se revezam na posição 1, Stoudemire e Howard disputam a 5. Confesso que não tenho opinião 100% formada sobre isso (peço a ajuda dos amigos leitores): às vezes acho que Carmelo poderia ser reserva de LeBron, ou vice-versa, garantindo um craque na ala durante toda a partida. Em outros momentos, penso que Melo pode render bem de ala-pivô, como fez ano passado em terras japonesas.

Se a lista estivesse nas minhas mãos, eu cortaria Kevin Durant, Nick Collison e JJ Redick. Levaria Stoudemire, Howard, Chandler (pivôs), Carmelo, LeBron, Kobe, Miller, Redd, Prince (laterais), Kidd, Billups e Williams (armadores). E você, faria diferente? Diga aí.

Três pontos sobre os rivais


1) Sem Eduardo Najera, que brigou com a confederação, o México aposta no veloz e folclórico Omar Quintero. O armador promete usar muito em Las Vegas a "flotadora", sua jogada preferida, quando encara rivais mais altos e solta a bola mais cedo para fugir do toco.

2) Do time que ganhou o bronze no Pan, o Uruguai não terá Gustavo Barrera, que operou o joelho. O elenco de 12 já está fechado. Olho no bom pivô Esteban Batista e no cérebro da companhia, Nicolas Mazzarino.

3) O Panamá também já fechou o grupo. Resolvida a questão do visto, que tinha sido negado inicialmente pelo consulado americano, a equipe vai a Las Vegas com força máxima, incluindo o excelente Danilo Pinnock e o eficiente Jaime Lloreda. A missão é ficar ao menos em quinto.

domingo, 19 de agosto de 2007

Marcelinho MVP? Desta vez, prêmio injusto


Ao fim dos Jogos Pan-Americanos, vocês estão de prova, eu escolhi Marcelinho Machado como maior nome da competição. Por isso, fico inteiramente à vontade para dizer agora: não vejo nenhum motivo para ele ter sido eleito o MVP da Copa Tuto Marchand. O Marcelinho de Porto Rico não foi nem sombra do que vimos no Rio.

Não dá para negar que ele foi bem nos lances livres (91.7%), nos rebotes (5.3) e nas roubadas (2.0). Mas a decepção veio justamente nos dois pontos principais: o arremesso (sua maior arma) e os passes (sua grande virada no Pan). O ala veterano acertou 36.4% nos chutes de dois e 25% nos de três. Ao longo dos três jogos, deu apenas duas assistências e cometeu cinco desperdícios. Não é esse o Marcelinho que queremos ver em Las Vegas.

Para mim, o MVP deveria ser o pivô argentino Luis Scola, cestinha do torneio (20.7), segundo maior reboteiro (7.7) e autor da cesta da vitória contra Porto Rico. Se era para escolher alguém da seleção campeã, que fosse Tiago Splitter (14.7 pontos, 7.3 rebotes, 62% nos arremessos).

A imperdoável insistência com Nezinho


Antes da Copa Tuto Marchand, a manutenção de Nezinho no elenco gerou inúmeros prostestos na caixinha de comentários. Nos três jogos em Porto Rico, o armador se esforçou para provar que os leitores estavam cheios de razão.

Ao longo do torneio, Nezinho tentou oito arremessos, só acertou um (0/5 da linha de três), deu apenas três asssitências e cometeu sete desperdícios de bola. E o pior: mesmo com o desempenho pífio nas duas primeira partidas, jogou seis minutos a mais que Huertas e cinco a mais que Valtinho na terceira. Será que foi um prêmio?

Agora, Lula tem a segunda-feira para pensar, refletir e corrigir o erro na terça, inscrevendo o versátil Marcus no Pré-Olímpico de Las Vegas. E você, acha que tem alguma chance de isso acontecer?

Três pontos positivos do Brasil em Porto Rico


1) Tiago Splitter confirmou a qualidade que a gente esperava. Com atuações sólidas, mostrou que tem tudo para ser um dos destaques do Pré-Olímpíco.

2) O título. Não era esse o objetivo do torneio, mas o fato de ter conquistado as duas últimas taças que disputou (Pan e Tuto Marchand) ajuda a levantar o ânimo antes de um desafio importante.

3) Argentina e Porto Rico estavam completos, enquanto o Brasil conseguiu vencer mesmo com três desfalques.

Três pontos negativos do Brasil em Porto Rico


1) O torneio tinha um objetivo principal, que não foi cumprido: dar ritmo de jogo aos atletas que não disputaram o Pan. Sem condicionamento físico, Nenê e Leandrinho só entraram na terceira partida, e ainda assim por pouco tempo. Cenário longe do ideal.

2) Valtinho e Marcelinho Machado, as duas grandes figuras no Pan, deram passos para trás. O armador, por exemplo, não pode ter em Las Vegas uma média de apenas 2.7 assistências por jogo.

3) Depois do ótimo e animador aproveitamento nos Jogos do Rio, o lance livre voltou a nos assombrar. Em Porto Rico, ficamos nos 61.8%. Nos três pontos, outro fiasco: 20%.

sábado, 18 de agosto de 2007

Com Nenê e Leandrinho, Brasil bate o Canadá

Desta vez, não deu nem para acompanhar pelas estatísticas, que não funcionaram no site da Fiba. Mas o Brasil venceu o Canadá por 74-61, com direito a Nenê e Leandrinho em quadra. O pivô jogou apenas 10 minutos e produziu bem: seis pontos, quatro rebotes e três tocos. Leandrinho, em 20, fez nove pontos e deu duas assistências.

Marquinhos (14 pontos), Batista (12) e Marcelinho (12) comandaram o ataque brasileiro, mas Machado voltou a falhar nos arremessos, com 4/12 (2/8 de três). Em Porto Rico, ficou longe do bom jogador que vimos no Pan.

Nezinho jogou 20 minutos, mais que Valtinho (15) e Huertas (14). Com esse tempo todo em quadra, tentou quatro arremessos e errou todos. Saiu zerado em pontos, deu uma assistência e cometeu três desperdícios. Vai ser inacreditável se essa distribuição de minutos se repetir em Las Vegas.

Detalhe estranho: Samuel Dalembert e Carl English não aparecem na escalação do Canadá. Mesmo sem o pivô haitiano, a equipe bateu o Brasil nos rebotes por 41-34. Quer ver os números do jogo? Clique aqui.